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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Vinho e Cinema: harmonização mais que perfeita!

Dois novos rótulos, quer dizer, dois títulos invadem os cinemas cult do País: "Sobre Amigos, Amor e Vinho" e "O Vinho Perfeito". Boa degustação!





Nem sempre é ele a estrela do filme. Mas quando entra em cena, jamais passa despercebido. Em muitas produções, antigas e contemporâneas, ele marca presença, deixando pro público aquela vontade de se jogar numa taça logo depois de sair do cinema. Neste mês, ele – o vinho – ganha ares de protagonista em dois filmes de 2014 que ganham projeção só agora por aqui.



O primeiro é o francês “Sobre Amigos, Amor e Vinho” que brilhou no Festival Varilux de Cinema país afora. Comédia de Éric Lavaine, veterano consolidado no gênero, o filme conta a história de Antoine (Lambert Wilson) que, apesar de cuidar da alimentação e da saúde, sofre um infarto durante uma corrida no dia do seu aniversário de 50 anos. O episódio muda a sua vida a partir dali e também a dos amigos que terão que se acostumar com um novo Antoine, mais sincero e menos preocupado em agradar todo mundo.


A segunda produção é italiana: “O Vinho Perfeito”, do diretor Ferdinando Vicentini Orgnani, baseado na obra “Vino Dentro”, de Fabio Marcotto. Na história, Vicenzo Amatto é Giovanni, o especialista em vinhos mais reverenciado da Itália. Ele abandona o emprego de bancário para se dedicar à arte de apreciar a bebida e reconhecer safras exclusivas. Até que, certo dia, é acusado pelo assassinato da esposa Adele (Giovanna Mezzogiorno) e vai parar na delegacia, onde o quebra-cabeça de sua paixão louca pelo vinho é desvendado. Coincidentemente, Lambert Wilson, o protagonista do filme francês, também atua no primeiro escalão da produção italiana.

A elegância e paixão pelo mundo do vinho como são mostradas no filme têm origem na própria história do diretor. Ferdinando Orgnani é de uma família italiana que trabalha com vinhos desde 1946. Ele foi criado na pequena cidade de Friuli, cercada por um grande vinhedo. “Ainda me lembro claramente daquela época, do clima festivo da colheita da uva, quando todo mundo compartilha as alegrias de seus próprios esforços. Fazer um filme sobre vinho foi um projeto presente em toda a carreira como diretor, que se concretiza agora”, disse. E em alto nível. Então, escolha o vinho e o filme e tim-tim!


10 filmes com vinho para apreciar sem moderação:







  • Vicky Cristina Barcelona (EUA, 2008). Direção: Woody Allen
  • Red Obsession (EUA, 2013). Direção: David Roach
  • Entre Vinhos e Amores (EUA, 2007). Direção: Allison R. Hebble
  • Sideways – Entre Umas e Outras (EUA, 2004) . Direção: Alexander Payne
  • Mondovino (FRANÇA/ITÁLIA/ARGENTINA/EUA, 2004). Direção: Jonathan Nossiter
  • Meia Noite em Paris (EUA, 2011). Direção: Woody Allen
  • Vale das Paixões (EUA, 1959). Direção: Henry King
  • O Rato que Ruge (INGLATERRA, 1959. Direçao: Jack Arnold
  • Um Bom Ano (EUA, 2006) . Direção: Ridley Scott
  • Vino para Robar (ARGENTINA, 2013). Direção: Ariel Winograd

terça-feira, 14 de julho de 2015

Descubra seu lado selvagem

Essa é a promessa do filme argentino “Relatos Selvagens”, já assistido por mais de 4 milhões de pessoas e que chega a Florianópolis neste mês, no Paradigma Cine Arte. E não duvide de que ele seja capaz disso.





São seis histórias. Imperdíveis, todas sensacionais. As que destoam, são espetaculares. Nenhuma delas é muito real, mas parece que o diretor e roteirista Damián Szifron não queria mesmo que fossem plausíveis. Elas exploram o limite do absurdo, e é exatamente o contraste entre a comédia e a tragédia que faz o filme funcionar tão bem. Outro ponto de nocaute é que é praticamente impossível você não se identificar com pelo menos um dos personagens e, de quebra, entrar na nóia do “E se eu...” completando a frase com algo selvagem, digamos, terrivelmente selvagem.




Ricardo Darín, expressão máxima do cinema argentino, é o capitão de um elenco de peso




















Erica Rivas, impagável no papel da noiva traída por Diego Gentile
Os protagonistas fora de controle que decidem fazer justiça com as próprias mãos nos seis pequenos episódios independentes do filme revelam um humor sofisticado e inteligente. Mostram também que qualquer um de nós pode, a qualquer momento e por qualquer motivo, surtar e assim mudar violentamente o rumo das coisas. É essa linha tênue que separa a civilização da barbárie, o conformismo da selvageria, a base do filme de Szifron.


Leonardo Sbaraglia esbanja beleza e fúria num dos melhores episódios do longa
O elenco reúne atores de talento e totalmente identificados com a proposta do filme. O premiado Ricardo Darín, praticamente uma instituição do cinema argentino, está esplêndido na interpretação de um engenheiro que trabalha numa empresa de implosões de edifícios, pai de família ausente, e que sofre as agruras da burocracia governamental argentina. Já Érica Riva, que faz a noiva que descobre na festa do seu casamento a amante do marido entre os convidados e resolve se vingar ali mesmo, tem um desempenho contagiante. Ela transpõe a sua loucura e contamina os espectadores com um desequilibrado e não menos pertinente questionamento sobre família, fidelidade, instituições e tudo o mais. Mas, perfeita e hilária é mesmo a atriz Rita Cortese, que interpreta a cozinheira de uma lanchonete decadente de beira de estrada. Com um humor negro incrível, ela mostra claramente que não tem muita paciência para certos clientes e algumas injustiças.


O tom tragicômico do filme explica em parte seu grande sucesso. Isso porque, apesar de divertido, muito divertido aliás, ele não deixa de discutir questões contemporâneas e urbanas como a intolerância e a injustiça social. Ou seja, é uma comédia com essência. Coisa que no nosso cinema nacional é cada vez mais raro encontrar.


O diretor argentino Damián Szifron, agora internacional e merecidamente consagrado, deixa cinéfilos na expectativa do seu próximo trabalho

Damián Szifron até então era um diretor que transitava muito bem na tv argentina, mas pouco emplacava nas telonas. Agora, depois de ver sua obra indicada ao Oscar, conquistar o exigente público de Cannes e cair nas graças dos irmãos Almodóvar que produziram este longa, Szifron consagra-se internacionalmente como diretor e roteirista. Sua câmera, passeadeira e maliciosa, evidencia o que é necessário e apenas sugere o que não pode ser revelado. Seu roteiro é impecável, bem escrito, com as pausas corretas. Melhor não poderia ser. Texto, interpretação, trilha sonora, cinematografia, tudo perfeito em Relatos Selvagens. Viva Damián Szifron! Vida longa a Ricardo Darín e ao cinema argentino!


PRA FACILITAR:


O que assistir: Relatos Selvagens (2014)

Quando: de 16 a 29 de julho de 2015

Onde: no Paradigma Cine Arte (SC-401, Corporate Park)

Roteiro e Direção: Damián Szifron

Elenco: Darío Grandinetti, Diego Gentile, Diego Velázquez, Erica Rivas, Julieta Zylberberg, Leonardo Sbaraglia, Liliana Ackerman, María Marull, María Onetto, Mónica Villa, Nancy Dupláa, Oscar Martínez, Osmar Núñez, Ricardo Darín, Ricardo Truppel, Rita Cortese

Produção: Agustín Almodóvar, Esther García, Hugo Sigman, Matías Mosteirín, Pedro Almodóvar

Fotografia: Javier Julia




quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O que esperar do cinema em 2015?

Janeiro e fevereiro prometem boas estreias no cinema. Confira alguns dos títulos mais esperados pela crítica e pelo público:


Uma Noite no Museu 3 – A comédia de sucesso que se apresenta na terceira edição tem um quê de nostalgia dessa vez. Isso porque o ator Robin Williams, morto em agosto deste ano, está no elenco. Foi o último filme dele.





Os Pinguins de Madagascar – Em animação 3D tem tudo para se tornar programação obrigatória não só com as crianças pequenas, mas também com as crescidas já no início do ano.




Sniper Americano – Este tem tudo para estar entre os favoritos do Oscar 2015. Vale assistir para conferir a direção de Clint Eastwood, que assumiu o desafio depois que o diretor original, Steven Spielberg, abandonou a produção por causa do orçamento limitado.



Birdman – Drama, com Michael Keaton no elenco, conta a história de um ator que fez muito sucesso interpretando Birdman e não consegue mais tarde se livrar do estigma do super herói que o consagrou. Já foi premiado em vários festivais.



Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo – Outra produção que deve ser indicada ao Oscar 2015. Foxcatcher é o nome de um centro de treinamento que é montado por um milionário esquisofrênico para treinar lutadores olímpicos. Só que o negócio foge do conceito esportivo e fica bem mais perigoso.


A Entrevista – É comédia, mas é polêmica. Isso porque a trama leva a CIA a contratar uma dupla de talk show americano para assassinar o líder do governo norte-coreano. Antes mesmo da estreia, já está dando o que falar.



Busca Implacável 3 – O terceiro filme da franquia vai confirmar Liam Nessom como astro de filme de ação, o que todos sempre duvidaram.



Caminhos da Floresta – Receita certa para o sucesso: musical comédia em padrão Disney, com elenco estrelado – inclusive com Johnny Depp e Meryl Streep - e baseado em um musical premiado. Junte num mesmo filme Cinderela, Chapeuzinho Vermelho e Rapunzel.  Leve a família e todos vão adorar.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O imaginário de Nicolau

Filme retrata com humor as férias de um garoto e sua maneira inusitada de observar os fatos


Quem assistiu ao “Le Petit Nicolas” (O Pequeno Nicolau) em 2010 e até hoje lembra da ingenuidade e delicadeza do filme de Laurent Tirard, pode agora reviver estes bons sentimentos no “Les Vacances Du Petit Nicolas” (As Férias do Pequeno Nicolau) que estreia em Florianópolis no dia 2 de janeiro, no Paradigma Cine Arte.
O filme dirigido pelo mesmo diretor e que tem como pais os mesmos atores -  Valérie Lemercier e Kad Merad - tem tudo para repetir o sucesso de quase cinco anos atrás. E, pelo fato de muito tempo ter se passado, principalmente para uma criança, o protagonista foi trocado neste segundo filme. No primeiro, Nicolau era vivido pelo ator Maxime Godart. Neste, quem dá vida ao menino é Mathéo Boisselier, que faz sua estreia no cinema e encanta com a mesma docilidade do antecessor.
A história é branda, o roteiro delicado e o humor é intenso e inofensivo. Assim que terminam as aulas, Nicolau, seus pais e avós, saem de férias.  Escolhem o litoral. Lá, o garoto não perde tempo e faz novos amigos e conhece uma menina por quem fica encantado e acredita ser sua futura esposa.

As reflexões, diferente do filme anterior, são menos profundas, porém, são mais divertidas. A fotografia é um capítulo à parte. O filme enche os olhos com suas cores vivas em design retrô, que recria a atmosfera dos anos 50. Gravado na Ilha de Noirmoutier na França, a obra ganha beleza bucólica e não foge do estilo artístico do primeiro filme.




Pode-se dizer que “As Férias do Pequeno Nicolau” é um elogio à pureza e à nostalgia. Mas, para mim, a grande sacada dos dois filmes de Tirard é nos apresentar o mundo pelos olhos do garoto. Assim, por quase duas horas, é como se voltássemos à infância e tirássemos férias com os amigos na praia. Um bom programa para uma tarde chuvosa do verão de janeiro, não?


FICHA TÉCNICA

  • Direção: Laurent Tirard
  • Elenco: Bouli Lanners, Bruno Lochet, Dominique Lavanant, François Damiens, François-Xavier Demaison, Kad Merad, Mathéo Boisselier, Valérie Lemercier
  • Nome Original: Les Vacances du Petit Nicolas
  • Ano: 2014
  • Duração: 97 min
  • País: França

Em Florianópolis, em cartaz do Paradigma Cine Arte (www.paradigmacinearte.com.br) , na primeira quinzena de janeiro. Segundas, terças e quarta, às 19 horas. E às sextas, sábados e domingos, em duas sessões diárias: 15 e 19 horas.


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Três lançamentos reacendem a velha paixão entre cinema e gastronomia

Quem nunca saiu do cinema com aquela vontade de jantar num restaurante maravilhoso? Ou de colocar um avental e ir para a cozinha fazer loucuras gastronômicas? Pois a fórmula de filmes que seduzem com gastronomia não é nova, mas continua funcionando muito bem. Tanto é que, somente neste mês, há três lançamentos do gênero aqui nos cinemas de Floripa



O filme “A 100 passos de um Sonho” (The Hundred-Foot Journey), com lançamento previsto para dia 28 de agosto no Brasil, já está deixando muita gente com água na boca antes da hora. A produção é de Steven Spielberg, Oprah Winfrey e Julieta Blake. E a história apaixonante. Ao Sul da França, mais precisamente no peculiar vilarejo de Saint-Antonin-Noble-Val, a respeitada e autoritária chef gastronômica Mallory (Helen Mirren) está cada vez mais preocupada com um restaurante indiano, o Maison Mumbai, que abriu ao lado do seu estabelecimento. Ela é proprietária e chef do Le Saule Pleureur, um restaurante francês clássico e estrelado do guia Michelin.

Helen Mirren impagável como a chef Mallory
O medo de Mallory é perder clientes para um vizinho não tão estrelado e sofisticado quanto ela. Ela acaba travando uma verdadeira guerra com o dono do restaurante que fica a 100 passos do seu portão, mas aos poucos conhece o filho do seu adversário, Hassan Kadam (Manish Dayal), um garoto com verdadeiro talento para a culinária. O conflito termina mesmo quando ela vê em Hassan uma paixão avassaladora pela alta culinária francesa e, claro, pela encantadora sous-chef da madame Mallory, Marguerite (Charlotte Le Bon). A mistura de talentos, de culturas e de sabores fazem desse filme uma aula de gastronomia e de vida.

Outro lançamento que promete abalar o paladar é "Onde Está a Felicidade?", comédia romântica escrita e estrelada pela brasileiríssima Bruna Lombardi, que surfa com domínio nessa onda gastronômica. O longa se passa em Viña Tondonia, tradicional vinícola riojana, fundada em 1877 pela família López Heredia. Na coprodução Brasil-Espanha, dirigida por Carlos Alberto Riccelli, Teodora (Bruna Lombardi) apresenta um programa de receitas afrodisíacas na TV e é casada há 11 anos com Nando (Bruno Garcia). 

Ao descobrir as traições virtuais do marido ela embarca em uma jornada pelo Caminho de Santiago de Compostela, cruzando a Espanha de ponta a ponta e conhecendo a cultura, a identidade e também a gastronomia de cada região do país. Destaque para as belas paisagens da região de La Rioja, de Santiago de Compostela, da vinícola e, claro, da gastronomia espanhola.


O terceiro filme, que foi lançado no final de 2013, chega agora em Florianópolis com exclusividade no Paradigma Cine. É o “Bistrô Romantique”, o primeiro longa metragem de Joel Vanhoebrouck, profissional já bem conhecido pelos seus trabalhos em TV. A história se passa em pleno Dia dos Namorados, onde o Bistrô Romantique, local renomado dos irmãos Pascaline e Ângelo, está totalmente lotado. Mas nem tudo sai como planejado. 

Cada casal vive uma história diferente, uns se apaixonam, outros entram em crise, outros brigam e, em meio a tanta boa gastronomia, caem as máscaras das relações humanas. Curiosidade? Esse filme foi integralmente gravado em 25 dias, na pequena cidade de Gent, na Bélgica.

 




Clássicos forever


Há alguns clássicos do gênero gastronomia e cinema que pedem para ser revistos sempre. É como uma comida de infância, que você conhece o sabor, mas tem aquela necessidade recorrente de degustar mais uma vez. Do clássico “A Festa de Babette” ao mais recente “Julie e Julia”, a água na boca foi a garantia do sucesso de bilheteria. E se você ainda não assistiu a algum deles, corra para a locadora e atualize sua cinelist.

A Festa de Babette (1987) - No longa francês,  Babette (Stéphane Audran), que tinha sido chef de cozinha do elegante Café Anglais, ao fugir da repressão à Comuna de Paris vai trabalhar como cozinheira e faxineira na casa de uma família. Após anos na casa, ela ganha uma fortuna numa loteria e  usa todo o dinheiro para oferecer um autêntico banquete francês. 

Sabor da Paixão (1999) - A bela e talentosa Isabella (Penelope Cruz) tem o dom de encantar paladares com sua comida. Cansada da sua vida ela decide abandonar o casamento e o restaurante do marido no Brasil e partir para São Francisco. Lá ela se une à amiga de infância, Monica (Harold Perrineau Jr) e mergulha fundo em sua paixão em busca da receita perfeita.

Vatel: Um banquete ao rei (1999) - O príncipe de Condé (Julian Glover), na França de 1671, toma uma decisão ousada: servir um banquete ao rei Luis XIV (Julian Sands). Com o então objetivo de agradar o monarca e ter assim as dívidas pagas, Vatel (Gerard Depardieu) é o responsável pelo grande espetáculo culinário.

Chocolate (2000) - A mãe solteira Vivianne (Juliette Binoche) se muda com a filha para uma pequena cidade francesa e abre uma bombonière. À medida que seus deliciosos doces despertam interesse na população, Vivianne sofre preconceito por parte dos moradores mais conservadores que alegam que seus maravilhosos doces são um atentado à moral. 

O Tempero da Vida (2003) - O cozinheiro Fanis Iakovidis (Georges Corraface) de 40 anos se reencontra com seu avô, o filósofo culinário Vassilis (Tassos Bandis), a quem não via desde os sete anos. Num momento crucial de sua existência, Fanis percebe que sua vida precisa de mais tempero e sabor.

Estômago (2007) - Raimundo Nonato (João Miguel) se muda para a cidade grande com o objetivo de melhorar de vida. Acaba conseguindo emprego como faxineiro e descobre sem querer que tem talento para cozinhar. Suas coxinhas se tornam um sucesso e ele ganha um novo emprego num restaurante italiano. E tudo muda na sua vida.

Ratatouille (2007) - O longa de animação conta a história do ratinho Remy (Patton Oswalt) que sonha em ser um grande chef de cozinha em Paris. Ele conhece o confuso ajudante de cozinha Linguini (Lou Romano).Em segredo os dois se tornam parceiros na cozinha, mas não podem ser descobertos.

Julie e Julia (2009) - Duas histórias reais, mas de épocas diferentes. Julia Child (Meryl Streep) se muda para França com o marido e começa a saga para publicar um livro com receitas francesas para americanos. Anos depois, Julie Powell (Amy Adams), uma escritora frustrada, decide criar um blog onde reproduzirá todas as receitas do livro de Julia Child em 365 dias. 

Veja também no Jornal Imagem da Ilha



quarta-feira, 25 de junho de 2014

O que os homens falam?

Elenco estelar e diálogos bem construídos fazem desse longa espanhol uma comédia irônica sobre os medos e fracassos de oito homens em plena crise da meia idade. Sem machismos e sem idealizações, o filme mostra nua e cruamente que eles têm um longo caminho a trilhar até descobrir como lidar com o perfil independente da mulher







O sexto longa de Cesc Gay como diretor está dando o que falar. Ou melhor, o que não falar.  A comédia romântica espanhola O Que Os Homens Falam chega às telonas brasileiras com uma peculiaridade: as salas lotadas de mulheres. Todas elas ávidas por descobrir, enfim, o que eles falam. Mas, infelizmente, não será dessa vez. O título em português, mais vendável que o original Una Pistola em Cada Mano, engana a torcida. A narrativa, construída pelos dramas de cada um dos oito personagens masculinos, reunidos em seis pequenas histórias, mostram muito mais o que eles omitem – para si mesmos e para o mundo - do que propriamente o que verbalizam.

Fernandez e Sbaraglia: um falido, o outro com crises de pânico
A boa do filme está no elenco. Cesc Gay reuniu grandes nomes do cinema espanhol e argentino, como Javier Cámara, Ricardo Darín, Eduardo Noriega e Eduard Fernández.  Darín aliás, que posa de protagonista nos cartazes de divulgação do filme, não é mais e nem menos que os seus companheiros de tela. Não há um personagem principal, todos tem seu peso bem distribuído. Pode-se dizer que O que os Homens Falam é uma comédia inteligente sobre os anseios e medos de homens na crise da chamada meia-idade, que há muito perderam o viço da juventude e experimentam, cada um a seu modo, o gosto amargo de situações mal resolvidas. Tem o drama do marido traído, do que está falido e volta a morar com a mãe aos 46 anos de idade, do que ficou broxa, do desesperado para voltar com a ex-mulher que ele traiu, do casado com filho pequeno que quer trair a mulher. Aliás, traição é um tema recorrente, que permeia a maioria das histórias, mas sem apoiar-se num tom moralista, felizmente. Diferentes ângulos do tema são revelados na fala dos personagens e suas relações mais e menos complexas. Amigos, colegas de trabalho, namorados, amantes casuais: todos estão sujeitos à infidelidade.



A graça está na ironia

 Tosar e Darín numa das cenas-síntese do filme, conversa sobre traição
Se numa comédia romântica americana o riso fácil e o apaixonado beijo final são figurinhas carimbadas e obrigatórias, nessa produção espanhola é melhor não esperar nem por uma coisa, nem por outra. A ironia bem construída nos diálogos é a principal responsável por ensaiar no espectador um riso aqui, outro ali adiante. Nada debochado, nada gargalhado. A graça  sutil é altamente irônica, como quem ri das suas próprias fraquezas e vulnerabilidades. A narrativa sensível e franca mostra que o cômico é patético e que os homens, antes dominadores, perderam as próprias amarras e estão à deriva.

O enredo do filme é contemporâneo, demasiadamente realista. E é essa aproximação com a vida real que traz a identificação, o laço para nos manter atentos até o fim às histórias que eles nos contam. Difícil é assistir ao filme e não ver ali alguém que conhecemos: um primo, um amigo, um ex-marido.

O longa foi rodado em Barcelona, mas é difícil num primeiro momento descobrir a cidade por trás das histórias. Ou a força dos diálogos rouba a atenção do espectador, ou a ideia de Cesc Gay foi mesmo a de deixar a sua cidade natal oculta. A maioria das cenas são internas: hall de elevadores, apartamentos, escritório e uma loja de vinho. A exceção fica por conta de uma praça onde Darín senta ao lado de Luis Tosar para descobrir o amante da esposa, que mora num dos prédios vizinhos. Há também uma sequência de cenas noturnas de uma Barcelona chuvosa vista pela janela do carro onde ocorre um dos diálogos.

As imagens-síntese de O que os Homens Falam monstram sempre um diálogo truncado, provocado pela complexidade das histórias de cada um e da dificuldade de se expor. Às vezes há um silêncio constrangedor e as duplas optam por conversar amenidades e evitar tratar o que realmente os aflige. Ou seja, o tema do filme nada mais é do que a  dificuldade que os homens tem de falar de si mesmos.

À exceção do pouco criativo final do filme, pode-se dizer que o longa de Cesc Gay é uma boa pedida, com bons diálogos e bons atores. Uma pena é que eles não falam tudo o que nós mulheres há séculos tentamos descobrir.

Veja a coluna na íntegra no Jornal Imagem da Ilha: http://www.imagemdailha.com.br/noticias/colunista/karin-verzbickas.html



quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

"O Impossível", um filme-catástrofe eficiente



Maria (Naomi Watts) e Lucas (Tom Holland)
Histórias reais sempre chocam mais. E quando a produção consegue remontar uma tragédia do porte do Tsunami que abalou o mundo e destruiu milhares de vidas na Tailândia, no final de 2004, o resultado é ainda mais envolvente. O filme reserva algumas cenas com efeitos visuais e de áudio capazes de simular a quem está assistindo a sensação de estar sendo engolido por uma onda gigante, se debatendo entre escombros ou mesmo se afogando. Sabe quando vc mergulha e o som à sua volta some e vc só ouve fragmentos do mundo externo e o forte barulho da água em movimento? Pois, a produção conseguiu reproduzir fielmente isso. De forma inteligente, a direção previu que esse seria o primeiro passo para você não ficar apático ao filme e se envolver realmente na história. Sem cair em chavões e pieguices do sofrimento alheio, o diretor Juan Antonio Bayona, resgata a história de uma família que passava as férias numa paradisíaca ilha da Tailândia, quando tudo aconteceu. Pai, mãe e três filhos receberam de frente a força do tsunami quando estavam relaxando na piscina de um resort. Cenas chocantes, produção bem feita, sensibilidade para envolver. Chora-se, é verdade, e muito. Principalmente, quem é mãe, pai, filho ou tem algum sentimento por alguém nessa vida. É impossível não se colocar no lugar deles e não pensar nos seus. E é impossível também o resultado final dessa história, não fosse ela real. Daí o nome "O Impossível". Fui com meu filho mais velho (22 anos) e chorei mais do que devia. A ligação da mãe, Maria, vivida pela atriz Naomi Watts, com o seu filho mais velho, Lucas, interpretado brilhantemente por Tom Holland, é tão forte, plena e cheia de cumplicidade que não pude deixar de associar. Vale assistir, mas prepare o coração e reserve alguns lencinhos.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Como era gostoso o meu francês

Em 33 cidades brasileiras, inclusive Floripa, está acontecendo um dos festivais mais legais do ano, o Festival Varilux de Cinema Francês. São 17 filmes, com exibições diárias, e entre eles alguns estrelados como o premiado “Intocáveis” (Intouchables), de Olivier Nakache e Éric Toledano. Com François Cluzet e Omar Sy, o longa foi o fenômeno absoluto de bilheteria na França em 2011, um dos filmes mais vistos na história do cinema francês, levando aos cinemas mais de 20 milhões de pessoas. Entre outros importantes títulos no Festival Varilux estão vários filmes que foram exibidos no último festival de Cannes 2012, como "Adeus Berthe - o enterro da vovó" (Adieu Berthe ou l'enterrement de Mémé), de Bruno Podalydes; "Aliyah" (Alyah), de Elie Wajeman; "O Barco da Esperança" (La Pirogue), de Moussa Touré; e filmes que serão lançados em breve no mercado brasileiro como "E agora, aonde vamos?" (Et maintenant on va ou ?), de Nadine Labaki ; "Uma garrafa no mar de Gaza" (Une bouteille à la mer), de Thierry Binisti ; "Um evento feliz" (Un heureux événement), de Remy Bezançon ; "A Filha do Pai" (La fille du puisatier), de Daniel Auteuil ; Paris-Manhattan", de Sophie Lellouche ; "A arte de amar" (L'art d'aimer), de Emmanuel Mouret ; "Polissia" (Polisse), de Maiwenn ; "Titeuf", de Zep ; "My Way, O Mito Além daMúsica" (Cloclo), de Florent Emilio Siri ; "A Vida Vai Melhorar" (Une Vie Meilleure), de Cédric Kahn ; e "O Monge" (Le Moine), de Dominik Moll. Na contramão das indicações dos "mais-mais" pela mídia especializada, assisti ontem o "My Way, o Mito Além da Música" e adorei! O filme conta a história de Claude François, o Cloclo, um dos maiores cantores de música popular francesa, que fez um sucesso louco na sua curta trajetória artística (ele morre tragicamente aos 39 anos de idade) e vendeu mais de 67 milhões de discos. Foi ele quem fez a canção "My Way", cuja versão americana ficou eternizada na voz de Frank Sinatra. O filme mostra também os bastidores da construção de um ícone da música e o empirismo de um marketing pré-internet, redes sociais ou globalização. Divertido e tocante. Um pouco longo, 2h28min, mas não dá para sentir o tempo passar. O Festival Varilux de Cinema Francês tem co-patrocínio da Aliança Francesa e em Florianópolis está no Paradigma Cine Arte, na SC-401, até esta quinta-feira, dia 23. Ingressos a R$ 14,00 e R$ 7,00.



segunda-feira, 9 de julho de 2012

Já assistiu? Então, vá...




As Idades do Amor, simplesmente delicioso esse filme. São 3 histórias de amor em 3 tempos da vida. Cenas lindíssimas de Roma e da Toscana. Adorei, me emocionei e também ri muito. Na primeira, um jovem advogado (Riccardo Scamarcio) deixa sua noiva esperando e parte para a Toscana, com a missão de convencer uma família a vender sua propriedade, no terreno de um futuro campo de golfe. A segunda história mostra um âncora de telejornal (Carlo Verdone), pai de família, perseguido por uma amante psicótica em Roma. Por fim, na trama romana de De Niro, ele interpreta um professor arqueólogo viúvo que abriga em seu apartamento a filha (Monica Bellucci) de um amigo que vive no mesmo prédio. Corra para ver. A participação de Robert De Niro é impagável. Manuale d'Amore 3 Itália , 2011 - 125 minutos. Direção: Giovanni Veronesi. Roteiro: Ugo Chiti, Giovanni Veronesi
Elenco: Robert De Niro, Monica Bellucci, Carlo Verdone, Riccardo Scamarcio, Laura Chiatti, Michele Placido, Donatella Finocchiaro, Valeria Solarino, Emmanuele Propizio